quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Sampedrense 0 - Canas de Senhorim 0

Ficha do Jogo

5ª Jornada da Série C, III Divisão Nacional de Futebol, Época 2011/2012

Estádio Municipal da Pedreira (São Pedro do Sul)

Público: cerca de 200 pessoas

Árbitro: Luís Coelho (A.F.Coimbra); Auxiliares: Paulo Santos e António Tomás


Sampedrense: 1 Márcio; 6 Baixote (17 Moreira aos 55'), 4 Gouveia, 5 Heitor (cap.), 3 Márcio Anastácio; 13 André Valente, 16 Sérgio, 10 Beto (9 Mathieu aos 76'); 18 Tagui, 8 Johnny, 15 Jimmy (11 Guilherme, ao intervalo). Suplentes não utilizados: 87 Maló, 2 Costa, 7 Neves, 14 Godinho. Treinador: Carlos Sousa
Canas de Senhorim: 1 João Paulo; 9 João Miguel, 11 Serjão (6 Fino aos 25'), 3 Diogo Cunha, 2 Pedro Correia; 4 Simão (cap.), 18 Pedro André; 17 Élio (14 Marco Xará aos 75'), 10 Luís Lopes (16 João Farturas aos 75'), 15 Fernando Pedro; 7 Dominique. Suplentes não utilizados: 12 Canário, 5 Mauro, 8 Miguel Duarte, 13 Carlos Miguel. Treinador: João Bento

Admoestações: cartão amarelo para Tagui aos 61', Márcio Anastácio aos 67', Johnny aos 90' e André Valente aos 93'; para Simão aos 40', Pedro Correia aos 44', Diogo Cunha aos 68', Élio aos 75' e Marco Xará aos 93'; cartão vermelho directo para Fino aos 92'.

Crónica

Derby sem golos

A jogar em casa perante o último classificado da Série C, III Divisão Nacional, o Sampedrense não foi além de um empate a zero, num jogo nem sempre bem jogado, em que os guarda-redes superiorizaram-se aos avançados

Laurindo Filho

Foi um pobre espectáculo de futebol (no que toca a jogadas com princípio, meio e fim) aquele que Sampedrense e Canas de Senhorim proporcionaram a todos quantos se deslocaram ao Estádio Municipal da Pedreira, no passado domingo, para ver mais um derby regional da III Divisão Nacional, Série C. Pouca clarividência, pouco acerto na finalização e, sobretudo, pouco envolvimento das equipas nas acções ofensivas justificaram por completo o nulo registado no final do encontro.

Curiosamente o início de jogo foi prometedor: logo ao primeiro minuto, Sérgio solicitou Beto sobre a direita e este, já dentro da grande área, rematou ao lado da baliza do Canas de Senhorim. Segundos depois, Jimmy surgiu sobre a esquerda, ganhou um ressalto de bola, entrou na área, mas cruzou fraco, para as mãos de João Paulo, que viria a ser uma das figuras do encontro. Com um futebol apoiado, por vezes enleante (pena ter sido só durante os primeiros minutos), com subidas constantes dos laterais e trocas posicionais constantes entre os homens da frente de ataque, o Sampedrense rapidamente encostou o Canas de Senhorim "às cordas", que apenas se preocupava em tirar a bola da sua zona defensiva. Talvez por isso os locais começaram a sentir algumas dificuldades para penetrar no bloco baixo defensivo dos comandados de João Bento. Por esta altura Jimmy era o homem em foco no Sampedrense: aos 15' rematou à figura de João Paulo, aos 24' surgiu isolado sobre a esquerda da grande área forasteira, permitindo a defesa do guardião contrário e aos 31' serviu Johnny, que em plena pequena área optou (mal) pelo pontapé acrobático, falhando um golo certo.

Com o passar do tempo o Canas de Senhorim começou a ganhar confiança e lentamente subiu as suas linhas. De tal modo que quase chegou ao golo, por duas vezes, em apenas um minuto: primeiro foi Élio a permitir uma enorme intervenção de Márcio (42'), depois foi Fernando Pedro a não aproveitar uma má saída do keeper local (43'). Respondeu de imediato o Sampedrense, sempre por Jimmy (45'+1'), que rematou forte e colocado, fazendo a bola rasar o ângulo inferior esquerdo da baliza de João Paulo. O intervalo chegava e o empate castigava essencialmente a ineficácia atacante dos homens da casa.

Sem Jimmy, sem perigo

Foi ao intervalo que se deu o grande momento do jogo: Carlos Sousa, treinador do Sampedrense, decidiu deixar Jimmy no balneário, fazendo entrar Guilherme para o seu lugar. Ao retirar aquele que, em nossa opinião, estava a ser o melhor jogador em campo, Carlos Sousa perdeu agressividade, velocidade e acutilância atacante. E nem mesmo a alteraçao táctica decorrente desta substituição (o Sampedrense passou de 4x3x3x para 4x1x3x2) deu frutos.

Até porque foi o Canas de Senhorim quem entrou melhor, tendo desperdiçado flagrante oportunidade à passagem do minuto 49, quando Luís Lopes não conseguiu desfeitear um inspirado e atento Márcio. Pensava-se que o lance poderia acordar os donos da casa, mas estes só responderam por volta do minuto 63, com Tagui a desviar ao primeiro poste para uma boa defesa de João Paulo, o qual se viu obrigado, na recarga a este lance, a defender por instinto um remate de Guilherme. No minuto seguinte, na sequência de um cruzamento de Johnny, Tagui proporciona a João Paulo a defesa da tarde - remate forte, de fora da área, do avançado local, com o guardião do Canas de Senhorim a defender superiormente para canto.

Após estes minutos de sufoco, o Canas de Senhorim voltou a baixar as suas linhas, jogando claramente no erro do adversário, à espera de um contra-ataque ou de um lance de bola parada. E foi precisamente desta forma que os forasteiros dispuseram da última oportunidade de golo de todo o encontro: João Miguel cobrou um livre lateral  e Dominique surgiu de trás, cabeceando com perigo, com a bola a passar rente ao ângulo superior esquerdo da baliza de Márcio (84'). Pouco depois Luís Coelho, que viajou de Coimbra e esteve bem em todos os capítulos (inclusivamente no cartão vermelho directo mostrado a Fino, ao minuto 92'), apitou para o final do encontro.

Resultado final, empate justo (apesar do maior domínio sampedrense) entre duas equipas que abordaram o jogo de maneiras distintas, mas que acabaram por se equivaler na ineficácia atacante e na excelente prestação dos seus guarda-redes.


Sinal + : a exibição dos keepers Márcio e João Paulo

Sinal - : a lesão de Baixote e a ineficácia dos atacantes de ambas as equipas

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